Pesquisador@s e Projetos

 

"A Cátedra “Diversidade Cultural, Gênero e Fronteiras”  é uma estrutura interdisciplinar composta por pesquisadores (as) de diferentes disciplinas: história, geografia, sociologia, letras, educação, filosofia, psicologia, direito e antropologia. Contamos com um colegiado de professores (as) que integram com suas pesquisas um mosaico de ações em prol do conhecimento humano."

 

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Dra. Alexandra Pinheiro

alexandra pinheiro

Projeto: Literatura em tempo de violência e denúncia: a produção literária de Susana Gertopan.

Descrição: Autora de seis narrativas, a escritora paraguaia Susana Gertopan nasceu em Assunção em 1956. Descendente de judeus, que fugiram da Polônia pouco antes de deflagrar a Segunda Guerra Mundial, Gertopan cria personagens que rememoram a chegada dos judeus na América Latina, principalmente em Buenos Aires e Assunção. Representa a dificuldade em romper com os limites linguísticos e culturais do novo lugar. Ao mesmo tempo, recria os lugares ocupados por essa comunidade e as regras impostas aos filhos para evitar o contato com os não judeus. Tendo em vista a afirmação da autora de que sua produção literária é fruto das imagens que retirou das histórias contatas por seus pais, avós e tios, as narrativas ficcionais de Gertopan possibilitam o olhar teórico lançado a essa pesquisa, qual seja, o diálogo interdisciplinar entre Literatura e História. Susana Gertopan e sua Literatura, portanto, compõem o corpus da presente pesquisa porque representa uma voz feminina que se destaca em um cenário majoritariamente de escritores masculinos. Para compreender suas obras, conceitos caros aos estudos literários embasam a pesquisa: fronteira dos saberes, memória e identidade. A primeira opção teórica é relevante porque pretendemos o diálogo entre duas áreas do saber (Literatura e História); o conceito de memória contribuirá para a análise das narrativas, uma vez que as seis produções são marcadas por personagens que rememoram o holocausto. É fundamental o debate acerca da questão da identidade porque a produção da escritora discorre sobre os conflitos entre gerações: os filhos e as filhas dos judeus rompem com as regras familiares; deixam de falar o yddish, língua de identificação dos judeus; enamoram-se de pessoas não judias; abandonam a fé e os ritos de sua religião. A pesquisa, por fim, procurará compreender em que medida a produção literária da escritora paraguaia em questão representa a identidade e a memória de seus antepassados. A estética literária e a História do holocausto, portanto.

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Dr. Alfa Oumar Diallo

alfa oumar

Projeto: Cooperação internacional para o desenvolvimento.

Descrição: A cooperação internacional para o desenvolvimento é um dos mais importantes caminhos para o desenvolvimento igualitário do mundo e melhora na qualidade de vida da população de muitos países pobres. É um movimento que tomou força no fim da Segunda Guerra Mundial e vem se transformando de acordo com a evolução da história, sempre em busca de uma progressão na situação econômica e social dos países, pautada no entendimento internacional de que a cooperação deve ser parte da agenda internacional para o desenvolvimento.

Projeto: Brasil-Moçambique: um olhar Sul-Sul sobre o agronegócio,  desterritorialização e dessacralização entre as etnias Kaiowá (MS - Brasil)  e Aianá e Macuá (Norte - Moçambique).

Descrição: Verificar, de forma comparativa, as legislações internacionais, nacionais, regionais e locais do Brasil e Moçambique no que diz respeito  às  questões territoriais envolvendo sociedades tradicionais no Mato Grosso do Sul  (Kaiowá) e  do norte de Moçambique  (Macua e Aiana)  e os proprietários/posseiros  do agronegócio em Mato Grosso do Sul, presentes nos países citados; Analisar o impacto dessas ocupações sobre as sociedades tradicionais envolvidas nessa disputa;  no que diz respeito ao processo de desterritorialização e dessacralização cultural; Comparar as soluções propostas em ambos os países no intuito de  colaborar na formulação de políticas públicas que atenda aos interesses majoritários das sociedades dos respectivos países; Compreender formas de resistência e negociações das sociedades tradicionais manifestas através de produções culturais (organização política, religiosa, direito tradicional).

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Dra. Alzira Menegat

alzira menegat

Projeto: PRONAF-MULHER: instrumento de reconhecimento/fortalecimento da condição de mulheres trabalhadoras-administradoras de unidades produtivas em assentamentos de reforma agrária em Mato Grosso do Sul.

Descrição: O presente projeto tem o objetivo de analisar em que sentido a linha de crédito PRONAF-MULHER é um fomento agrícola criado pelo Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA), que permite ampliar a visibilidade da atuação das mulheres assentadas em projetos de reforma agrária, em Mato Grosso do Sul. O que pretendemos é perceber se as mulheres assentadas estão acessando essa linha de crédito, e em quais os municípios percentualmente é encontrado maior número delas acessando, e que itens elas tem financiado. Para o levantamento dos dados, dentre os 172 assentamentos instalados em Mato Grosso do Sul (Dados do INCRA, de fevereiro de 2009), faremos um levantamento nos municípios que contam com maior número de assentamentos, sendo eles: Sidrolândia, contando com 16 projetos instalados, Itaquiraí, com 12, Rio Brilhante com 09, Nova Alvorada do Sul, com 08, Nioaque com 08, Ponta Porã, com 07 e Corumbá, com 07. Assim, ao pesquisarmos sete municípios de Mato Grosso do Sul estaremos levantando dados da realidade de 67 assentamentos. O levantamento será realizado junto às instituições que prestam assistência técnica, também responsável pela elaboração das propostas de financiamentos do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura familiar, na linha PRONAF-MULHER, sendo elas a Agência de Desenvolvimento Agrário e Extensão Rural (AGRAER) e a Associação Esporte, Cultura, Educação e Recreação (CRESCER) e o Banco do Brasil, este último apenas repassa os recursos contratados. Buscaremos, em ambas, acesso às propostas para identificarmos o número de mulheres nesse financiamento e quais os itens que contratam.

 

Dra. Ana Maria Colling

ana colling

Projeto: “História das mulheres e das relações de gênero na Guerra do Paraguai”.

Descrição: Esta pesquisa em andamento tem como objetivo resgatar a história das mulheres brasileiras  que participaram da Guerra do Paraguai e que estão ausentes da historiografia. Já foram iniciadas as atividades de pesquisa nos Arquivos de Porto Alegre/RS e em Assunção/PY. Como a Guerra do Paraguai desenvolveu-se de 1864 a 1870 não existem personagens vivas para serem entrevistadas sobre sua participação no conflito, restando a riqueza dos arquivos. Nesse estudo serão enfocadas histórias de vida de mulheres que participaram do conflito, como mães, esposas, costureiras, enfermeiras, prostitutas, comerciantes, soldadas, prisioneiras ao serem tratadas como traidoras, e que nesta  trajetória, reelaboraram seus espaços enfrentando junto com os homens a fome e os horrores da maior guerra da América do Sul. Segundo os relatos, argentinos e uruguaios não permitiam o envio de mulheres à guerra e nem sua presença nos  acampamentos. Na literatura brasileira sobre a Guerra do Paraguai, um relato masculino, as mulheres aparecem muitas vezes, inclusive nas obras publicadas pela Biblioteca do Exército Nacional, muitas agora re-editadas pela Editora do Senado Federal. Os arquivos oficiais, desconhecem a presença feminina. Portanto, nossa proposta é trazer à superfície histórica as mulheres participantes deste conflito bélico transformando-as em sujeitos reais no relato histórico. A partir dos arquivos públicos e da literatura existente, tentaremos explicitar a construção das relações de gênero na Guerra do Paraguai, na tarefa que coube a cada participante, e as relações entre homens e mulheres no conflito, contribuindo para uma história mais geral da Guerra do Paraguai. Também a ampliação do diálogo entre pesquisadores/a de vários estados brasileiros e do país vizinho, que foi sede do conflito.


Dr. Cássio Knapp

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Projeto: Os Processos de Escolarização entre os Guarani e Kaiowá: Subversão, Resistênica e Ressignificação.

Descrição: Essa pesquisa parte da hipótese de que a escola para/entre indígenas, para além de seu intuito normatizador, se configura como um espaço de subversão, fugindo ao controle das agências de regulação (Igrejas, Estado). Assim construímos e defendemos a tese de que tudo isso aponta para a aplicação imperfeita de um modelo de escola e para a possibilidade de se ver, na transgressão, uma contestação de todo o edifício do saber ocidental e de suas funções. Tais aspectos poderiam ser interpretados como espaços de contestação da colonialidade. Portanto, acreditamos, em princípio, que aquilo que foi tomado na literatura como deficiência da escola indígena é, na verdade, demonstração de uma “outra” lógica, “outra” racionalidade. Para isso, realizaremos estudos de caso de três momentos que consideramos paradigmáticos do contato dos Guarani com a escolarização, focalizando os processos de escolarização e os usos pelos Guarani da cultura escrita, quais sejam, o projeto civilizador cristão do período jesuítico, o projeto integracionista ao Estado Nacional do SPI e o momento atual de efervescência identitária.

 

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Dra. Cátia Paranhos

Cátia Paranhosred

 

Psicóloga com graduação, mestrado e doutorado em Psicologia pela UNESP/Assis. Especialista em Saúde Mental pela UNICAMP e em Saúde do Trabalhador pela FIOCRUZ. Trabalha com vários pontos da atenção e da gestão do Sistema Único de Saúde, com destaque para o Ministério da Saúde, na Política Humaniza SUS. Atualmente, é professora da graduação e pós-graduação em Psicologia e do Programa de Residência Multiprofissional em Saúde da Universidade Federal da Grande Dourados (UFGD). Coordenadora dp Laboratório Serviço de Psicologia da UFGD (LabSPA). Preceptora do PET- Saúde GraduaSUS.
Temas de estudo e trabalho: Psicologia Social, Saúde Coletiva, Sistema Único de Saúde, HumanizaSUS, Saúde Indígena/Indigenista, Gêneros, Saúde Mental, Loucura, Desejo, Esquizoanálise e Cartografias. 


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Dra. Daniela Auad

daniela auad

É autora dos livros Feminismo: que história é essa? (DP&A, 2003), Educar Meninas e Meninos: relações de gênero na escola (Contexto, 2006) e, em coautoria, O Professor e a Professora diante das Relações de Gênero na Educação Física Escolar (Cortez, 2012); também organizou livros e é autora de artigos publicados em revistas, livros e anais de congresso, os quais têm relações de gênero e feminismos como temas centrais. Professora Permanente do Programa de Pós-Graduação em Educação da Faculdade de Educação da Universidade Federal de Juiz de Fora (FACED/UFJF), na linha Gestão, Políticas Públicas e Avaliação Educacional, orienta alunas de Doutorado e Mestrado, em pesquisas sobre relações de gênero, diversidade, educação e políticas públicas. Na Graduação, é responsável por disciplinas da área de Sociologia da Educação; Estado, Sociedade e Educação; Relações de Gênero e Educação; Feminismos, Relações de Gênero e Intersecções. Concluiu pós-doutorado no Departamento de Sociologia da Universidade de Campinas (UNICAMP) em 2008. Na Universidade de São Paulo (USP), realizou Doutorado em Sociologia da Educação (2004), Mestrado em História e Filosofia da Educação (1998) e Graduação em Pedagogia (1995). Na Iniciação Científica, no Mestrado e no Doutorado, foi contemplada com financiamento da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP). Realizou, durante o Doutorado, estágio de pesquisa em Paris, no Instituto de Pesquisa em Ciências Contemporâneas (IRESCO), associado ao CNRS e à Universidade Paris 8. Atuou como assessora técnica da Coordenadoria Especial da Mulher do Município de São Paulo e foi, no âmbito desta função, coordenadora do primeiro Curso de Gênero para Educadores da Rede Municipal da Cidade de São Paulo (2004). É líder e cofundadora do Flores Raras: Educação, Comunicação e Feminismos, Grupo de Estudos e Pesquisas que, tanto na Universidade quanto no âmbito de variados Movimentos Sociais, desenvolve atividades de docência, pesquisa, extensão, debate, ocupação, resistência e transformação. 

  


Dr. Edvaldo Moretti

edvaldo moretti

Projeto: Geoparques e identidade territorial: produção do território turístico e sustentabilidade social.

Descrição: A área proposta para a pesquisa é a delimitação do Geoparque Bodoquena-Pantanal no Mato Grosso do Sul, criado em 22 de dezembro de 2009, através de decreto do governo estadual, com extensão de aproximadamente 20.000 km , ocupando parte do oeste e sudoeste de Mato Grosso do Sul. Constitui um território direcionado para a conservação ambiental em área de fronteira do Brasil com dois países, Bolívia e Paraguai, constituindo um aspecto analítico importante na constituição de identidades territoriais. A definição do Geoparque Bodoquena-Pantanal como área de estudo, tem como justificativa a possibilidade de contribuir com a produção do conhecimento sobre os discursos e práticas conservacionistas associadas a atividade turística com a identificação e valorização (ou não) das identidades territoriais, estabelecidas no processo histórico de constituição dos lugares inseridos no Geoparque. Tem como objetivo principal identificar e analisar a participação da identidade territorial na produção do território turístico no Geoparque Bodoquena-Pantanal associada a sustentabilidade socioambiental.

Projeto: Práticas sociais e saberes de mulheres e homens e a produção do território rural no Distrito de Marracuene em Moçambique: viabilidade das alternativas produtivas no mundo da sustentabilidade.

Descrição: A pesquisa pretende analisar as praticas sociais da população do distrito de Marracuene, em Moçambique. Uma das questões fundamentais é valorizar e dar visibilidade para as práticas alternativas de produção agrícola e a possibilidade de inter-relação com as práticas turísticas. Neste sentido as questões destacadas no projeto são: identidade, relações de gênero, território, produção orgânica, interculturalidade, economia solidária, soberania alimentar, entre outros, que compõem a análise da produção do território rural, na perspectiva da geração de trabalho e renda e permanência na terra, tendo a atividade turística como referência. Tendo como objetivo principal compreender o processo de constituição do território rural em Moçambique, especificamente no Distrito de Marracuene e promover a construção de conhecimentos pautada na socialização de saberes e fazeres entre docentes e discentes dos grupos de pesquisas do Brasil e de Moçambique participantes do projeto.

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Dra. Flaviana Nunes

flaviana nunes

Projeto: A Geografia na educação escolar indígena: reflexões a partir de Mato Grosso do Sul.

Descrição: Num momento em que se faz cada vez mais presente a discussão sobre a interculturalidade nos processos e práticas educativas, entendemos que as disciplinas que compõem o currículo escolar precisam voltar suas preocupações para essa questão. Considerando a necessidade de a Geografia aproximar-se ou inserir-se no quadro da educação intercultural de forma mais efetiva - a considerar o número reduzido de trabalhos e pesquisas nessa temática - acreditamos ser relevante o desenvolvimento de uma pesquisa sobre a inserção da Geografia em projetos de educação intercultural, mais especificamente na educação escolar indígena tomando como base alguns municípios de Mato Grosso do Sul. Entendemos ser urgente uma reflexão específica, no campo da Geografia escolar sobre a contribuição dessa disciplina para a implementação de uma educação intercultural ou mesmo a identificação dos problemas e limites para isso. Desta forma, o objetivo geral desta proposta é analisar as características e o papel da disciplina de Geografia nas escolas indígenas dos municípios de Dourados, Amambai e Caarapó em Mato Grosso do Sul, tendo em vista a promoção de uma educação intercultural. Acreditamos que o projeto poderá gerar benefícios tanto do ponto de vista científico, quanto do ponto de vista social, na medida em que, ao investigarmos a disciplina de Geografia nas escolas indígenas de Dourados, Amambai e Caarapó poderemos identificar as características, os limites e as possibilidades dessa na efetivação de propostas de educação interculturais que, por sua vez, contribuam para o desenvolvimento social e emancipação dos povos indígenas de Mato Grosso do Sul.

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Dr. Henrique Sartori de Almeida Prado

henrique sartori

Projeto: A cooperação descentralizada e a paradiplomacia no ambiente da integração regional: a atuação dos governos subnacionais em busca do desenvolvimento.

Descrição: O projeto aborda os temas da cooperação descentralizada e da paradiplomacia dos atores subnacionais nos processos de integração, em particular, no que se refere às propostas do Mercado Comum do Sul e da União Europeia. Ainda, o projeto, buscará verificar a atuação dos governos subnacionais em busca de uma maior participação no processo decisório dentro dos processos de integração regional e, principalmente, à atuação internacional dos mesmos na prospecção de novas oportunidades de desenvolvimento econômico, atração de investimentos estrangeiros diretos e acordos de cooperação descentralizada.

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Dra. Jacy Corrêa Curado

jacy curado

 

Projeto: Desigualdades de Gênero, Psicologia Social e Políticas Públicas.

Descrição: O Projeto de Pesquisa “Desigualdades de Gênero, Psicologia Social e Políticas Públicas” possui como objetivo fortalecer o debate, assim como promover o diálogo sobre as relações de gênero e as desigualdades sociais. Em uma metodologia horizontal e participativa propomos agregar estudos e pesquisas realizadas no campo das políticas públicas que buscam contribuir com novas leituras psicossociais dos problemas emergentes da sociedade brasileira em uma perspectiva de gênero. Os atores envolvidos nos projetos são políticas públicas endereçadas as comunidades em situação de vulnerabilidade social que sofrem preconceito, discriminação e humilhação social; como mulheres em situação de violência, beneficiárias e usuárias das políticas sociais, comunidades LGBT, negras, indígenas, paraguaias entre outras.

  


Dr. Jones Dari Goettert

jones dari

Projeto: Espaço e Literatura: a produção de imagens espaciais na obra de Manoel de Barros.

Descrição: A obra de Manoel de Barros (1916-) tem se mostrado uma das mais criativas e profícuas da poesia brasileira. Em especial desde os anos (1960), com Compêndio para uso dos pássaros (1960) e Gramática expositiva do chão (1966), seus livros ensejam um conjunto de leituras que resultam em densas análises teórico-literárias como em filmes-documentários relacionando, muitos deles, obra e vida. Marcada acentuadamente por uma pretensa relação com o espaço pantaneiro (o que tende a uma leitura simplista e reducionista de sua obra), a poesia de Manoel de Barros o ultrapassa e pode ser pensada como uma poética-filosofia do mundo. Mergulhada às coisas do chão, sua poesia possibilita novas imaginações sobre as relações Sociedade/Natureza, com dimensões inusitadas de tempo e espaço contra hegemônicas. Construída a partir do ajuntamento de utensílios, a poesia de Manoel de Barros pode ser lida também como a produção de um de espaço: um movimento dialético mas sobretudo zigomático no qual pedaços cosais , vegetais, animais, minerais e humanos se encontram/desencontram em restos , ciscos e desperdícios . Aprofundar e construir outras e novas imagens espaciais em Manoel de Barros é o principal objetivo deste projeto.


Dr. Losandro Antonio Tedeschi

losandro tedeschi

Projeto: VIVER PARA CONTAR O OUTRO LADO DA FRONTEIRA: olhares sobre gênero, identidades e memórias da migração feminina camponesa para o Paraguai.

Descrição: Ouvir, registrar e analisar as trajetórias individuais e coletivas das mulheres migrantes brasiguaias no Paraguai. Essas trajetórias serão focadas a partir das histórias de deslocamentos e pelas memórias das condições dos lugares deixados; as expectativas negativas, positivas e cautelosas dos lugares; as representações das gentes e dos lugares deixados e dos lugares chegados; o trabalho; o sonho e a migração. Entendendo, portanto, as estratégias de sobrevivência, os valores que conduzem as ações, os compromissos negociados com a realidade e a construção de identidades de gênero. Interpretar vidas é um modo de fazer história. Os indivíduos quando se contam, desvendam mundos que não são individuais. Através das histórias de vida recolhidas, será possível aprender uma dimensão cultural mais ampla que a subjetiva, mediante o relato individual de ontem emergem caminhos do universo coletivo do passado e do presente. 

  


Dr. Márcio Mucedula Aguiar

márcio aguiar

Projeto: Inclusão Social e Étnico-Racial no Ensino Superior: análise comparativa das experiências do INCLUSP (Programa de Inclusão Social da USP) e da adoção das Cotas étnico-raciais na Universidade Federal da Grande Dourados (UFGD) de 2012 à 2013.

Descrição: Nos anos 90 várias universidades brasileiras em consonância com as demandas de inclusão étnico-racial adotaram o sistema de cotas. Algumas, entretanto, ao invés de adotar o recorte étnico-racial deram preferência aos egressos da escola pública. O estudo pretende analisar as experiências do INCLUSP e da UFGD, visando discutir a adequação dos critérios adotados tendo em vista a promoção da inclusão étnico-racial nos três cursos mais e menos concorridos nos anos de 2012 e 2013.

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Dra. Marisa Lomba de Farias

marisa lomba

Projeto: Práticas sociais e saberes de mulheres e homens e a produção do território rural no Distrito de Marracuene em Moçambique: viabilidade das alternativas produtivas no mundo da sustentabilidade.

Descrição: Registrar as especificidades do modo de vida dos grupos e as estratégias de permanência na terra e de geração de trabalho e renda considerando as especificidades sociais, ambientais, políticas e econômicas locais; Desenvolver atividades através de grupos focais com mulheres com o intuito de conhecer as relações de gênero, as expressões interculturais, bem como os conflitos que envolvem o cotidiano dessas pessoas, com um olhar especial para as diferentes gerações.

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Dr. Miguel Gomes Filho

Miguel

 

Miguel Gomes Filho é natural do Município de Fátima do Sul, Estado de Mato Grosso do Sul. Doutor e Mestre em Educação pela Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS). Especialista em Prática Docente no Ensino Superior e Uso das Tecnologias pela UNAES (Campo Grande-MS) e Especialista em Filosofia Clínica pela Faculdade Pe. João Bagozzi (Curitiba-PR) e Instituto Packter (Porto Alegre-RS). Graduado em Filosofia pela Universidade Católica Dom Bosco (UCDB). Atuou por vários anos como professor de Filosofia e diretor Escolar, na Educação Básica da Rede Estadual de Ensino do Estado de MS. No mesmo Estado, trabalhou por mais de 10 anos no Ensino Superior, na rede privada, onde ministrou aulas nos cursos de Administração, Ciências Contábeis, Direito e Pedagogia, nas disciplinas de formação geral e humanísticas. É autor do livro: "(Homo) Sexualidades e Foucault: para o Cuidado de Si" e organizador do livro "Educação, diversidade e inclusão: desafios para a docência". Atualmente é professor adjunto, na Faculdade de Educação  (FAED), Coordenador do Núcleo de Estudos de Diversidade de Gênero e Sexual (NEDGS), na Universidade Federal da Grande Dourados (UFGD),  Pesquisador da Cátedra de Diversidade Cultural, Gênero e Fronteiras (UNESCO/UFGD), Membro do Grupo de Estudos e Investigações Acadêmicas nos Referenciais Foucaultianos - (GEIARF/UFMS).

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Moema Libera Viezzer

moema viezzer

 

Brasileira, mestre em Ciências Sociais e Educadora Popular, é especialista em equidade de gênero e meio ambiente, internacionalmente conhecida por seu envolvimento no movimento de mulheres e ambientalista. Recebeu numerosas homenagens e menções honrosas em reconhecimento ao seu trabalho; entre outros, internacionais e nacionais, o Prêmio Bertha Lutz concedido pelo Senado Federal a mulheres de destaque em relação ao empoderamento das mulheres e o Prêmio Rose Marie Muraro, de iniciativa da Secretaria de Políticas para Mulheres para mulheres atuantes há mais de 50 em relação  às questões feministas e de equidade de gênero. Em 2005 foi uma das 52 brasileiras que receberam a indicação  ao Premio Nobel coletivo 1000 Mulheres pela Paz.

Moema produziu  diversos artigos e alguns livros  relacionados com o empoderamento das mulheres e equidade de  gênero, entre os quais merecem destaque: “Se me deixam falar...”  testemunho de Domitila Barrios, traduzido a 14 idiomas; “O Problema não  está na mulher”, dissertação de Mestrado. Também coordenou a produção de KITs pedagógicos como  Mudando o Mundo com as Mulheres da Terra e o  Nosso Plano em Ação em Apoio ao Plano Nacional de Políticas para Mulheres.  

Na área de Educação Ambiental coordenou diversos programas nos  âmbitos local, nacional e internacional. Entre eles, duas Jornadas Internacionais de Educação Ambiental (Rio 92 e Rio+20) cujo ponto central foi a produção coletiva do Tratado de Educação Ambiental para Sociedades Sustentáveis e Responsabilidade  Global . Entre suas publicações sobre o tema, merece destaque a organização do Manual Latino americano de Educ-Ação Ambiental e o ABC da Equidade de Gênero nos Projetos Socioambientais. Nos últimos anos, como consultora  da ITAIPU Binacional participou da concepção e implementação dos processos de  Educação para a Sustentabilidade no Megaprograma Cultivando Agua Boa (CAB)  na Bacia do Paraná 3 e do Programa de Incentivo à Equidade de Gênero da mesma empresa.

As produções literárias e pedagógicas de Moema geralmente são frutos de pesquisa-ação participante, método utilizado para facilitar a inteligência coletiva e desencadear ou fortalecer processos multiplicadores de saberes em diálogo. 

Atualmente reside no Brasil, em Toledo, município do Estado do Paraná. Atua como consultora socioambiental, prestando serviços a movimentos sociais, ONGs, órgãos públicos e empresas. É membro da Rede  de Mulheres pela Paz ao Redor do Mundo. É colaboradora do Programa de Gênero do Conselho Internacional de Educação de Adultos-GEO/ICAE e conselheira do Fundo Brasileiro de Educação Ambiental - FunBEA.

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Dr. Paulo Custódio

paulo custódio

Projeto:  Diálogo contemporâneo da Literatura com outras mídias.

Descrição: Este projeto propõe-se refletir a relação da Literatura com outros suportes midiáticos na contemporaneidade. Ele parte do pressuposto de que a Literatura de nosso tempo está sendo constantemente convidada a dialogar com imagens visuais (seja na Pintura, na Televisão, no Cinema ou na Internet) e isso torna urgente uma reconstrução do seu conceito. Esse trabalho estabelece os impasses da tradução/transcriação de obras literárias para outros meios como ponto nevrálgico de discussão. Sem estabelecer relações de hierarquia decorrentes do fato de a Literatura estar na origem dos eventos e as outras artes estarem no final do processo, as análises procurarão demonstrar o momento em que a obra resultante tenha sido motivada a desenvolver mecanismos internos (de conteúdo ou de forma) condizentes com seu campo semiótico, constituindo-se (ou não) como obra independente.

 


Dra. Tchella Fernandes Maso

tchella maso

Projeto: A tradução do Subalterno no projeto político-epistêmico de superação da colonialidade na América Latina.

Descrição: O projeto é uma iniciativa vinculada ao grupo de pesquisa Pós-colonialidade e Integração Latino-Americana, vinculado à linha de pesquisa "Perspectivas teóricas pós-coloniais aplicadas ao contexto e à história latino-americana". O projeto tem por objetivo analisar os discursos de pensadores latino-americanos da colonialidade (Álvaro Garcia Linera, Aníbal Quijano, Enrique Dussel, Luis Macas, Pablo Dávalos, Walter Mignolo e Maria Lugones), visando refletir como esse(s) projeto(s) político-epistêmico(s) em defesa da refundação das ciências sociais estabelece(m) dialogo com os saberes contidos nas falas subalternas no que diz respeito à resultante dessas pesquisas. Apesar da escolha destes não excluir outros possíveis intérpretes, o recorte deve-se à expressividade desses nomes no debate e o envolvimentos desses com a luta social, em particular na Bolívia e no Equador países de referência na ordenação do movimento indígena. A ênfase no estudo das obras desses autores deve centralizar-se em como estes definem os ausentes do discurso colonial, os subalternos, e como estabelecem diálogos com esses, no sentido de lançar luz às suas vozes e ações. Sendo assim, ao responder à problemática da produção de conhecimento em contextos pós-coloniais almeja-se, ainda que de forma indireta, revisitar a epistemologia/ ontologia do campo das RI hegemonicamente estruturada a partir de um pensamento abissal. 

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Dr. Thiago Leandro Vieira Cavalcante

thiago cavalcante

Projeto: Conflitos de territorialidades: Projetos Integrados de Colonização em terras indígenas guarani e kaiowá no sul de Mato Grosso do Sul.

Descrição: A pesquisa analisa o processo histórico da constituição dos Projetos Integrados de Colonização de Iguatemi e de Sete Quedas que foram implantados na década de 1970 pelo governo militar na região sul de Mato Grosso do Sul em sobreposição a terras de ocupação tradicional indígena. A presença dos colonos não-indígenas acabou por gerar um conflito de territorialidades, já que tanto indígenas, quanto não-indígenas estabeleceram laços de territorialização sobre um mesmo espaço territorial. A pesquisa tem caráter interdisciplinar pautado principalmente na metodologia etno-histórica que, nesse caso, conjuga métodos oriundos principalmente da história e da antropologia. Sendo assim, a pesquisa será desenvolvida com base na aplicação de métodos de análise documental, história oral e etnografia.

Projeto: História e Cultura Indígena.

Descrição: A Lei 11.645 de 10 de março de 2008 alterou a Lei 10.639 de 9 de janeiro de 2006 tornando obrigatório o ensino de história e cultura indígena nas escolas de ensino fundamental e médio. A promulgação dessa Lei trouxe à luz pelo menos duas reflexões importantes. Por um lado, há um esforço de parte da sociedade principalmente dos próprios movimentos indígenas no sentido de divulgar a história e a cultura indígena com o objetivo de diminuir o desconhecimento sobre essa temática e a consequente diminuição dos preconceitos com que a maioria da população não-indígena avalia os indígenas. Por outro lado, a necessidade de um tema tão afeito à história do Brasil ser introduzido nos currículos escolares por força de uma lei revela que o preconceito contra esses povos ainda é muito grande, inclusive entre os educadores e autores de livros didáticos. Diante disso, depara-se com a questão da capacitação docente para trabalhar com essas questões. Sendo assim, este curso pretende ser uma opção de formação continuada para os docentes da rede de educação básica em história e cultura indígena no município de Dourados. Município esse bastante sui generis, pois concentra uma das maiores populações indígenas do Brasil vivendo em área contígua à zona urbana do município, o que não tem sido suficiente para diminuir os distanciamentos entre as culturas. Acredita-se que a formação dos professores será revertida em formação de maior qualidade para as crianças e jovens contribuindo para a diminuição do preconceito em médio prazo.

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